Educação Financeira

Crédito privado: por que cresceu 30% em 2024

Equipe XO Digital24 de Junho, 202612 min de leitura
Crescimento do crédito privado no mercado brasileiro

O crédito privado brasileiro deixou de ser nicho de grandes fundos institucionais. Com a abertura regulatória, o desenvolvimento de plataformas digitais e a busca por retornos superiores à renda fixa tradicional, ele se tornou uma classe de ativos acessível e relevante para o investidor individual.

A definição que simplifica tudo

Crédito privado é qualquer forma de financiamento de dívida que não passa pelo balanço de um banco comercial. Em vez de pedir um empréstimo ao banco, a empresa vai diretamente ao mercado — emite um título de dívida e investidores compram esse título, tornando-se credores da empresa. O banco sai da equação; o spread que ele capturaria vai, em partes, para o investidor e para a empresa.

No Brasil, esse mercado inclui debêntures, Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI), Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA), Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs), Letras de Crédito Imobiliário (LCI), Letras de Crédito do Agronegócio (LCA) e, mais recentemente, as ofertas reguladas pela CVM 88 para empresas de médio porte — o segmento onde a XO Digital atua.

Números que explicam a expansão

Em 2024, o volume total de emissões de crédito privado no Brasil superou R$ 700 bilhões — um crescimento de mais de 30% em relação ao ano anterior. Para ter uma referência: em 2018, esse número era inferior a R$ 200 bilhões. O crescimento não é uma anomalia — é o resultado acumulado de mudanças regulatórias, desenvolvimento de infraestrutura de mercado e amadurecimento do investidor brasileiro.

R$ 700 bi+

emissões de crédito privado em 2024

+30%

crescimento em relação a 2023

3,5x

crescimento do mercado desde 2018

Por que as empresas preferem o crédito privado ao banco?

A resposta curta: custo. O Brasil tem um dos maiores spreads bancários do mundo — a diferença entre o custo de captação dos bancos e a taxa que eles cobram dos tomadores. Para uma empresa de médio porte sem rating de crédito consolidado, um empréstimo bancário pode custar entre 18% e 35% ao ano em termos efetivos, incluindo tarifas, IOF e outros encargos.

Via mercado de capitais, a mesma empresa pode captar a taxas significativamente menores — não porque o risco diminuiu, mas porque o investidor direto está disposto a aceitar uma taxa menor do que o banco cobrava para remunerar seu próprio risco de crédito, seus custos operacionais e sua margem de lucro. O intermediário sai, e todos ficam em melhor situação financeira.

Além do custo, o crédito privado oferece às empresas algo que os bancos raramente proporcionam: flexibilidade estrutural. Um banco tem produtos padronizados. O mercado de capitais permite que cada operação seja estruturada com prazo, cronograma de amortização, tipo de remuneração e garantias específicas para a realidade daquela empresa naquele momento.

Por que o investidor está migrando para crédito privado?

Com a Selic em patamares historicamente elevados, a renda fixa como um todo voltou a ser atrativa no Brasil. Mas dentro da renda fixa, existe uma hierarquia de risco e retorno. O Tesouro Direto é o piso — risco soberano, liquidez diária, retorno compatível com a taxa básica. Os CDBs de grandes bancos oferecem um leve prêmio. E o crédito privado — especialmente em empresas de médio porte — oferece prêmios adicionais que podem superar 3 a 5 pontos percentuais ao ano em relação ao Tesouro para prazos equivalentes.

Esse prêmio não é gratuito. Ele compensa riscos reais: menor liquidez, risco de crédito do emissor, menor transparência de informações em comparação com títulos públicos. Mas para investidores que entendem esses riscos e têm horizonte de investimento compatível, o retorno ajustado ao risco do crédito privado tem sido superior ao da renda fixa convencional na maior parte dos ciclos dos últimos dez anos.

O papel das plataformas digitais na democratização

Historicamente, o mercado de crédito privado era acessível apenas a fundos com centenas de milhões de reais sob gestão. Os custos de análise de crédito, estruturação jurídica e distribuição faziam o ticket mínimo ser proibitivo para o investidor individual. Uma debênture corporativa exigia um investimento mínimo de R$ 1 mil na letra da lei, mas a realidade da distribuição era que apenas gestoras institucionais conseguiam acessar as melhores ofertas.

Plataformas digitais especializadas mudaram essa equação. Ao reduzir os custos de distribuição e criar interfaces acessíveis para investidores não institucionais, tornaram possível aportar em crédito privado com valores compatíveis com o patrimônio do investidor de varejo. A XO Digital vai um passo além — ao distribuir via WhatsApp, elimina até a fricção de baixar um aplicativo específico, chegando ao investidor no canal onde ele já está.

Riscos que não devem ser ignorados

Falar sobre crédito privado sem falar sobre risco seria desonesto. O principal risco é o de crédito: o emissor pode não ter recursos para honrar os pagamentos. Diferente de um CDB de banco grande coberto pelo FGC até R$ 250 mil, um título de crédito privado não tem garantia do Fundo Garantidor. Se a empresa emissora falir, o investidor entra na fila de credores — e pode receber menos do que investiu, ou nada.

O segundo risco é o de liquidez. Crédito privado é, por design, pouco líquido. Mercados secundários para esses títulos no Brasil ainda são incipientes. Se você precisar do dinheiro antes do vencimento, pode ter dificuldade para vender a posição a um preço razoável.

Esses riscos não eliminam a atratividade do crédito privado — eles definem quem deve e quem não deve investir nessa classe de ativos, e em que proporção.

Pronto para Começar a Investir?

Aplique o que você aprendeu e descubra oportunidades exclusivas na XO Digital